Tchicas e Tchicos… Voltei! (quer dizer, não exatamente por que ainda estou em São Paulo. hehe.)
Bom, vou começar falando do quanto foi difícil, desgastante e prazerosa a concetização desse sonho de participar do XI Encontro Feminista LatinoAmericano e do Caribe - EFLAC…
O encontro ocorreu do dia 16 a 20 de março na Cidade do México- MX, e contou com a participação de 1.200 mulheres. Mas o encontro em si na verdade é o MEIO, por que dois meses antes já estavamos nos organizando, reunindo os documentos necessários para retirada do visto, fazendo projeto e oficios para buscar apoiadores, e também elaborando nossas intervenções. Tivemos exautivas reuniões virtuais, pois as jovens moram em cidades distintas, muitos e-mails e telefonemas trocados, muitas pesquisas, e o momento do encontro se aproximava.
Passei por um sufoco enorme para conseguir ir ao consulado mexicano no Rio de Janeiro (posso contar essa longa aventura a vocês em outo momento), e com muito sacrificio e a recomendação do consul de que não me envolvesse em nenhma manifestação, consegui a concessão do visto para 30 dias. As outras meninas encontraram tanta dificuldade ou mais que eu para conseguir o visto também, uma delas até foi discriminada por que poderia ter conseguido apenas declarando sua própria renda que era o suficiente, mas o consul não acreditou que uma jovem pudesse ser independente de pai e mãe, e foi necessário que a Fernanda Lopes da UNFPA ficasse 40 min ao telefone tentando convencer o consul da importância da participação dessa jovem!
Mais uma vez saimos vitoriosas. A UNFPA esteve nos apoiando em parte desse processo no pagamento da inscrição de cada jovem, custos dos materiais, translados, etc. Mas quando embarcamos para o México ainda não havia o dinheiro em nossas contas que só caiu na segunda dia 16 março quando já estavamos lá, e os nossos cartões não eram internacionais, resultado… estavamos com pouquissima grana!
Até a abertura, tudo em paz, mas depois começou uma espécie de resistência quanto a participação das jovens. Não que elas devessem participar ou não, mas que elas são apenas feministas, como todas as outras… Elas não queriam reconhecer que embora partissimos de um ponto em comum que é ser mulheres, temos diferenças, temos especificidades. E isso, na verdade, significa um retrocesso, pois no ultimo EFLAC que foi aqui no Brasil as Jovens da america latina e do caribe, fizeram ma carta apresentaa no final do encontro firmando um pacto de que deveria sempre se garantir a resença das jovens feministas nos EFLACs. Precisavamos então fazer alguma coisa!
No dia seguinte passei boa parte da manhã comprando materiais para as ações (o difícil foi explicar em portunhol o que eu queria em cada loja que eu chegava. hehe Mas desenrolei bem!), e a noite começamos uma batalha contra o próprio cançaso para fazer a faixa, cartazes e tudo o mais. Dormimos um pouco e só fomos concluir tudo na manhã do dia seguinte. Ficou tudo lindo… A faixa de mais de três metros dizia “jovens feministas presentes! nunca mais um encontro feminista sem nós”, nas camisas liás também estampamos nossa prasença. Fizemos cerca de 30 cartazes com frases que representam a nossa luta, como “direitos sexuais e reprodutivos”, “legalizar o aborto!”, feminismo não combina com lesbofobia”, e outras. Em poucos minutos as pessoas estavam nos fotografando, perguntando sobre a intervenção, e ficamos supervizibilizadas no encontro. Aos poucos as tensões contra as jovens foram diminuindo. No dia seguinte fizemos um jornal mural resgatando a nossa história desde o ultimo EFLAC em 2005, e também deixamos um grande espaço para que as jovens escrevessem o que para elas “é ser jovem feminista”.
Participei de várias atividades independentes que trabalhava com os direitos sexuais e reprodutivos, mais outras duas sobre o aborto que me trouxeram informações que ainda não tinha como “aborto por medicamentos, como ministrar, etc.”, e também novas idéias de como trabalhar essa questão aqui no Brasil. Existe inclusive, um projeto muito inovador das meninas do Equador, é um chamado das “alinhas dos direitos sexuais e reprodutivos”, trata-se de uma linha telefônica que é bem difundida onde as pessoas odem estar ligando e pedindo informaçõs sobre saúde sexual e reprodutiva e principalmente sobr o aborto… quais os tipos de abortos que são legais, em que hospital eu vou, etc.
Além dessas também participei de uma com onze jovens feministas do equador, uma brasileira e uma argentina, que discuiamos especificamente sobre as jovens feministas, desafios, autonomas ou institucionalizadas… Aproveitei esse raro momento de diálogo, por que o encontro não proporcionava muito essa troca de experiências, e falei sobre as experiências que temos no Brasil enquanto mulheres jovens, a exeriência em coletivo que é uma - autonoma, e no Centro de Jovens da BEMFAM - institucionalizada. Também falei sobre o projeto ‘vigilantes dos direitos sexuais e reprodutivos”… Contextualizando a realidade no Brasil e dando idéias também. Foi muito bom FALAR e ser OUVIDA.
Em uma boa parte dos países da América Latina pincipalmente no Mexico, não existe essa discussão que temos tão presente sobre as IDENTIDADES, e existe uma espécie de “apartaid” entre o segmento feminista das AUTONOMAS e INSTITUCIONALIZADAS. Por isso as jovens sofreram tanto, por que ser jovem feminista é uma identidade e por que não somos exatamente nem autonoma, nem institucionalizadas… Eu por exemplo convivo tranqilamente com essa dualidade. Mas elas não! Ouvi uma história, não sei se é verdade, que essa separação ocorreu a cerca de uns 15 anos e desde então elas não se união. Essa união só foi possível para realizarem o encontro. Acaba que essa ituação gerou um mal-estar, por exemplo, algumas autonomas não eram a favor da participção das transsexuais no encontro.
Falei também sobre os vigilantes com três brasileiras e as duas garotas da “alinha” do Equador. Falamos sobre a possibilidade de trazer um projeto como esse pro Brasil, se adequando é claro, a nossa legislação… Mas elas querem tabalhar apenas com mulheres, então não nos encaixamos tão bem. Mas foi bom ter essa pequena troca de experiências também.
Na manhã do ultimo dia do encontro, dia 20, houve a assembléia final onde vários segmentos como as transsexuais, as negras e é claro “nós, as jovens”, subiram ao palco para apresentarem suas cartas obre suas reivindicações e impressões sobre o encontro. Foi maravilhoso poder subir lá em cima e numa voz só, dizermos tudo que estava no encomodando desde o início… Falamos inclusive sobre o desperdicio que teve de copos que ram de isopor e outros, que é péssimo pro meio ambiente! Por incrível que pareça até fomos bem aplaudidas!
Mas para mim, existiram mais dois momentos inesquecíveis! O primeiro foi a apresentação da carta das transsexuais… Todas se emocionaram. Tudo que elas reivindicavam era que fossem aceitas, que unissimos a elas nesta luta contra o machismo, o patriarco que oprime a todas nós em comum. Chorei chorei! O segundo, foi quando todas nós seguimos numa grande Marcha até a praça do centro histórico… segurando faixas, catazes, gritando nossas reivindicações, cantalorando ao mega-fone. Todas unidas, abraçadas. A principal reivindicação, e claro, foi a autonomia do corpo das mulheres, principalmente ao direito de abortar. Me arrepio só de lembrar. Até eu cantei ao megafone “se o papa fosse mulheeeer, o aborto seria legaaaal (bis 3x), seria legal e seguro (bis 3x), se o papa fosse mulher!”. Foi ótimo ser o centro das atenções por alguns minutos.
Ao final da Marcha, ainda ficamos lá um bom tempo. E cada mulher, no seu momento, foi se retirando e voltando aos seus países. O XI EFLAC chegava ao fim.
As principais fotos e matérias vocês podem ver no fotolog e no blog da Articulação Brasileira de Jovens Feministas - ABJF.
fotolog: http://jovensfeministas.nafoto.net/photo20090319231125.html
blog: http://dialogoj.wordpress.com/ (ainda faltam muitas matérias)
Beijos… e obrigada pelo apoio!!