Visita à Delegacia da Mulher em Recife
Pessoal,
estou trabalhando em um projeto chamado “apitaço: enfrentamento a violência contra as mulheres” de uma organização chamada “Grupo de Mulheres Cidadania feminina situada na Zona Norte de Recife. Neste projeto, que circula por comunidades de baixa renda em Recife, as mulheres passam por oficinas de gênero, feminismo, identidade racial, saúde e direitos reprodutivos, saúde e direitos sexuais, fala pública, lei maria da penha e outras. E ao final deste processo elas vão visitar a delegacia das mulheres para saber como se faz a denuncia e entender um pouco mais do processo.
eu trabalho mais na relatoria, por isso não posso dar tantos pitacos. Mas é impressionante ver a transformação dessas mulheres em tão pouco tempo.
Recentemente, numa dessas visitas a delegacia presenciei um fato interessantissimo num diálogo entre a delegada e as mulheres. Acompanhem…
“O que acontece quando as mulheres prestam a denúncia várias vezes e nada aconteceu e terminou em morte?” pergunta a mulher.
“A gente pede as medidas protetivas, mas às vezes o judiciário não autoriza. Aqui a gente trabalha 24 horas, e lá a juíza trabalha 6 horas. Deveria ter mais varas.” responde a delegada.
“Então tem que criar mais varas.” Afirma outra mulher, como se a fala da delegada não justificasse o fato.
“E para isso precisa de quê?” Questiona novamente a primeira mulher.
“Pressão de vocês! Solicitar ao presidente do tribunal.” Delegada.
Estas ultimas falas são bastante interessantes por que as mulheres começam a identificar na fala da delegada quais são os problemas reais que ocorrem durante o processo, e não se conformam com a resposta dela que apenas explica a falha existente. Elas vão mais a fundo e questionam em outras palavras: como é que a gente faz pra mudar?
Esse inconformismo é a verdade de que os diálogos e conhecimentos são capaz sim de mudar a vida das pessoas, como começam a mudar a vida destas mulheres.
esperam que tenham gostado de ler sobre essa experiência.
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