Diagnóstico de duas unidades de saúde em Recife
Enviado em 4 de Abril de 2009
Publicado por Maria Camila | Enviar por e-mail
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Queridos/as vigilantes…
Finalmente conseguimos ir a campo e fazer o diagnóstico nas unidades básicas de saúde - UBS, que aqui são reconhecidos como postos de saúde do Programa de Saúde da Família - PSF.
A multiplicadora e vigilante Edneusa Lopes e eu, visitamos dois PSF:
1º No posto Alcides Codeceira - Bairro Alto José Bonifácio. Distrito III. Recife-PE. O entrevistado foi o supervisor de equipes do PSF, Luis José.
2º No posto do Bairro Alto José do Pinho. Distrito III. Recife-PE. A entrevistada foi a técnica de enfermagem que responde pelo posto, senhora Roberta Correia Leal.
Ao chegar ao posto com a camisa do projeto, nos identificamos, falamos um pouco do projeto e o porque que estavamos ali, e começamos a fazer a entrevista. Nos dois postos fomos muito bem atendidas, assim como as demais pessoas. Tinha boa codição de higiene, e aparentemente de saneamento, e segundo funcionários também um bom quantitativo de remédios e métodos.
Tais postos ficam em áreas de morros na zona norte do Recife, que é uma região periférica, mas que vem tendo crescente desenvolvimento e começam a surgir pequenas áreas de classe média. Nestas zonas, é imprecionanete o número de adolescentes grávidas, no segundo posto que visitei, tinham umas três com bebês.
Aqui o sistema funciona da seguinte forma, no posto de saúde existe de duas a quatro equipes formada por: 1 médico/a, enfermeiras e auxiliares de enfermagem. Atendimentos especializados são sempre encaminhados para policlínicas e outros. Esta equipe também é composta por agentes de saúdes comunitários, e cada equipe corresponde a uma área. Para você fazer marcação, é necessário que você faça por meio desse agente comunitário que vai ao menos uma vez por mês em sua casa, ou você pode ir também ao posto. É então feito um cadastro manual (que fica no posto e não é encaminhado nem pro distrito), você recebe uma carteira, marca a consulta e pode remarcar com este mesmo cadastro… Sempre por meio da agente de saúde de sua área. Cada agente fica responsável por aproximadamente de 150 a 200 famílias.
Quando perguntei sobre a distribuição de métodos, disseram que vinha em quantidade satisfatória. São 15 preservativos por mês. Para receber pilula, a pessoa tem que passar por uma cosulta e receberá um cartão para pegar todo mês. A funcionária da farmácia disse que as vezes só vem faltar no fim do mês. No segundo posto que fui, a quantidade de preservativo era negociável de acordo com a necessidade da pessoa, distribuiam até preservativo feminimo, mas a procura era muito pequena. Quanto a adolescentes, disseram que distribuiam também independente da idade, por que a realidade da comunidade é que as meninas engravidam muito cedo!
Especificamente sobre a pílula de emergencia, a pessoa se dirige a agente de saúde ou funcionária da farmácia, que encaminha para o médico presente na unidade que permitirá a entrega e dirá como a pessoa deve tomar, e ainda esta pessoa tem que responder um questionário que é enviado pelo distrito. Ao que parece, esse questionário é apenas para ter um diagnóstico sobre o perfil da pessoa, idade, etc. E é obvio que essa distribuição só é possível no horário de funcionamento do posto que é das 8 as 12 horas, e de 14 as 17 horas.
A única reclamação que escutei, no primero posto, é que faltava até receiturário (como naquele dia), e as vezes materiais mais no fim do mês. No segundo posto, a técnica reclamava que lá eram apenas duas equipes de saúde, enquanto o do primeiro posto eram quatro.
No caso das mulheres que chegam a procura de serviços de ginecologia, na maioria das vezes é atendida pela enfermeira, que poderia também fazer a carteira dessa mulher para recebimento de métodos. Se o homem procura serviço de urologia, é encaminhado para uma unidade que tenha essa especialidade.
A maioria das pessoas que frequentam são idosas, mulheres entre 24 a 50 anos, crianças que também são atendidas pelo clínico geral, e o pouco que recebem de adolescentes e jovens são por que estão grávidas.
Quanto a serviços de ações educativas, existe uma diferença entre os dois postos. No primeiro, as palestras e orientações são exclusivamente realizadas fora do posto, em locais da comunidade também por iniciatia delas. Por exemplo, se um grupo de jovens deseja uma palestra sobre DST, eles procuram a agente de saúde ou enfermeira e agendam alguma atividade. No segundo posto, as palestras são realizadas tanto na unidade, quanto na comunidade. Inclusive, quando chegamos, estava havendo uma sobre saúde bucal realizada por uma técnica de enfermagem. As palestras são de saúde como um todo, isso também inclue de prevenção a DST/AIDS e métodos… As que são no posto, são sempre no perído de sala de espera antes da consulta, as que são na comunidade são tanto por iniciativa das enfermeiras, quanto da própria comunidade.
O que me chamou mais atenção, de uma forma geral é que para a prestação de um bom seviço de saúde, vai depender quase sempre da boa vontade e iniciativa de funcionários do próprio posto. O primeiro, por exemplo, tinha quatro equipes, mas estas só realizavam atividades educativas quando solicitavam. O segundo, bem menor com duas equipes ia em busca de adolescentes, jovens, idosos, e outras pessoas para realizar as atividades educativas afim de aproximá-lo do posto.
Então provavelmente a nossa principal necessidade seja a de sensibilizar tais profissionais, por que raramente veremos adolescentes procurando o serviço de saúde, se na maioria das vezes ele nem sabe que tal serviço existe!
Foi uma experiência evidenciadora!
Olá Camila,
PARABÉNS pelas ações e por relatá-las aqui no blog…
Seguimos…
Bjs