Olá, galera!
No ano passado, numa ação como vigilante dos direitos sexuais e reprodutivos, fui convidada para falar com os adolescentes de 6ª e 7ª série sobre sexualidade. Assim que cheguei na escola, a coordenadora pedagógica me apresentou aos educadores que logo começaram a falar:
“Ah que bom, esses adolescentes precisam mesmo!”.
“Ah isso é verdade, essas meninas da 6ª tem um fogo, vivem correndo atrás dos meninos”.
“Nossa aqui já tem algumas meninas grávidas ou que logo vão ficar por causa desse fogo”
Na verdade fui bombardeada pelas afirmativas, idéias que os educadores fazem dos adolescentes, que pra eles muitos são irresponsáveis, incapazes de tomar decisões.
E logo pensei:
“Meu Deus! Esses educandos passam 1/3 de sua infância e adolescência dentro da escola, na esperança de uma vida melhor, na busca da formação pessoal. É perceptível em seus comportamentos a busca de encontrar em seus educadores o que não conseguem em casa: compreensão e esclarecimento das dúvidas que tem, seja no processo da aprendizagem escolar ou na formação pessoal. E muitos deles inconscientemente/ conscientemente fazem uso da sua sexualidade como instrumento para pedir socorro e infelizmente falta educadores para fazer essa leitura.”
No bate papo com as meninas da 6ª série, pude observar o quanto elas gritam por socorro, o quanto elas não tem idéia do que é bom ou não pra elas pelo fato de ninguém tê-las permitido a conhecer o próprio corpo, a identificar seus próprios sentimentos em determinadas situações, ninguém disse a essas meninas sobre seus direitos sexuais e reprodutivos. Então como podem identificar um abuso sexual, se não tem idéia do que é uma violência? Como podem se sentir no direito de viver uma relação sexual sem temor de gravidez e/ ou contrair uma DST? Infelizmente o desconhecimento dos direitos faz com que essas adolescentes se tornem cada vez mais vulneráveis e o pior sem um projeto de vida saudável.
Fiquei indignada quando elas me falaram das informações que são passadas pra elas por alguns educadores como: Não se engravida na primeira relação, e muito menos se contrai uma doença.
Depois quando essas adolescentes engravidam falam: Nossa nos tempos de hoje com tanta informação, como ela foi engravidar?
Mas não sabemos como é o acesso a essas informações e muito menos como essas informações são passadas pra essas/ es adolescentes.
Será mesmo que os educadores não perpetuam na sala de aula mitos e crenças que eles próprios tem sobre a sexualidade? Transferindo para os adolescentes rótulos e preconceitos?
Lembro-me de uma adolescente no final do bate papo, chegou perto de mim e me perguntou: Quando um menino passa a mão no meu corpo e eu não quero, mas ele me pega a força, isso é uma violência sexual?
Muitos param e pensam: Meu Deus como uma menina de 13 anos não sabe que isso é uma violência? Ah quer saber ela gosta disso…
Foi isso que eu acabei ouvindo de algumas colegas dela de classe, e é essa leitura que muitos educadores fazem dessa situação. Então a quem essa menina pode recorrer?
É vigilantes, temos muito trabalho realmente, se queremos que esses adolescentes sejam sujeitos de direitos. E que possamos cada vez mais sensibilizar educadores, familiares e a todas as pessoas que cercam esses adolescentes que vivem no SOS SEXUALIDADE.
UM ABRAÇO A TOD@S
Lilian