A Justiça de Ribeirão Preto (SP) concedeu a guarda definitiva de quatro irmãos a um casal de Homossexuais masculinos. A decisão significa que os cabeleireiros João Amâncio, 36 anos, e Edson Paulo Torres, 43, foram autorizados a adotar Ana Beatriz (6 anos), Willian (8), Carolina (10) e Suellen (12).

A decisão, do juiz Paulo César Gentile, será enviada agora às partes e ao Ministério Público. A expectativa é de que, até a próxima quarta-feira, o casal já tenha em mãos a documentação que assegure a guarda.
Gentile chegou a declarar que “o importante é a condição afetiva do casal” e que “a opção sexual pouco importa”.
As crianças já viviam com o casal desde dezembro de 2006, quando os parceiros conseguiram a guarda provisória das crianças. João e Edson, que têm ainda três filhos biológicos, vivem juntos há 17 anos.
João Amâncio mal conseguiu conter a emoção. “Que ótimo. Nem acredito que esse dia chegou. Agora é comemorar e muito”, disse Amâncio.
Mudança
Segundo a psicóloga Maria Auxiliadora Dessen, especialista em adoção de crianças por Homossexuais, a decisão mostra uma mudança de paradigma na forma como a sociedade entende a questão da participação dos Gays na sociedade.
“Felizmente as pessoas estão se atentando que, independente da preferência sexual, os Gays são cidadãos e possuem direitos e deveres”, disse.
Ela faz questão de ressaltar que o fato de viverem sob os cuidados de dois homens que convivem maritalmente não trará nenhum dano às crianças.
“É um preconceito. Problemas podem acontecer em todas as famílias, mas a opção sexual não é fator preponderante para a formação das crianças, mas sim o amor com o qual elas serão criadas.”
Carta motiva medida de juiz
Os quatro irmãos foram internados no Centro de Abrigo e Apoio à Adoção de Ribeirão Preto (Caribe) em outubro de 2003 depois dos pais biológicos perderem, por abandono, a guarda das crianças.
Como a lei determina que os irmãos não sejam separados em caso de adoção, os quatro ficaram internados até outubro de 2006 e, no período, não houve interessado em adotar todos juntos.
Foi quando Suellen, a mais velha do grupo, escreveu uma carta ao juiz Paulo César Gentile pedindo que, se fosse necessário, separasse a família para permitir que todos fossem adotados.
O pedido comoveu o juiz, que passou a estudar alternativas e, sabendo que a chance de alguém adotar os quatro de uma vez era quase nula, autorizou visitas de João e Edson às crianças.
Eles começaram então a ter contato com os quatro e pediram a guarda dos pequenos, que foi concedida pela Justiça a três dias do Natal de 2006. Desde então as crianças vivem com João e Edson.
“Já somos uma família. Nos amamos muito e, embora com todas as dificuldades, fico muito feliz pela Justiça ter entendido que o amor independe de opção sexual”, disse João Amâncio, agora pai dos quatro irmãos.