depoimento pessoal
Enviado em 27 de Novembro de 2008
Publicado por Maria Camila | Enviar por e-mail
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A experiência que tenho para contar sobre o projeto vai além da formação profissional e compartilhamento de estratégias. Foi e continua sendo um processo fortalecedor também no âmbito pessoal.
Desde o primeiro contato na formação em que reencontrei amigos e fiz novos, no decorrer do processo o conhecer das histórias pessoais de cada um/a, o por que acreditavam e acreditam neste projeto, e o fato de encontrarem ali força de vontade para continuar a lutar pelos seus ideais, esteve sempre presente o companheirismo, solidariedade humana, o incentivo.
Se a gente não concebe as pessoas como sujeitos humanos em sua complexidade antes se serem sujeito de direitos, políticos e multiplicadores, a frustração e o resultado superficial do projeto apenas baseado em números de atividades produzidas, será mais que evidente. E no final você percebe que aquela ação não chegou a modificar a realidade nem mesmo daquele que facilitou o processo. Será que ele acredita no que diz, ou apenas reproduz o que conseguiu absorver numa oficina?
E no cenário em que os movimentos/organizações sociais muitas vezes disputam entre si, esse valor humano vem ficando cada vez mais escasso.
O tempo todo nós adolescentes e jovens estamos questionando o porque de muitas coisas estarem do jeito que são, e trazemos reflexões a fim de provocarmos mudanças, e que elas possam trazer bem-estar para a vida das pessoas. Mas se a gente não estiver fortalecido e em bem-estar consigo mesmo, será que faremos isso com a mesma crença? Teríamos o mesmo resultado?
Foi emocionante ver meus amigos que chegaram ao projeto extremamente fragilizados e pensando em desistir de tudo aquilo que acreditavam, saindo dali fortalecidos e convictos de que ainda há muito que poderiam contribuir.
E mais emocionante ainda quando vi em minha organização o quanto as adolescentes e jovens estão se empoderando a partir do momento que compreenderam o real sentido dessa palavra, e a importância que o trabalho delas tem para contribuir para que outras pessoas também se empoderem. Eu fico babando quando elas começam a defender algo a partir do discurso da autonomia e ficam problematizando as questões.
E não consigo deixar de me sentir um pouco responsável por tudo isso. Não deixo de me sentir grata pela oportunidade de estar neste projeto.
Se mais organizações investissem nas relações humanas antes de tudo, como a REPROLATINA fez e faz, a realidade de muito mais gente seria modificada.