Afinal, ser feminista é….
Enviado em 8 de Novembro de 2008
Publicado por Maria Camila | Enviar por e-mail
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Por Maria Camila Florêncio*
O movimento feminista tem uma longa tragetória. A cada época, ou ondas como algumas escritoras preferem chamar - remetendo ao movimento de recuos e avanços que as ondas fazem -, uma ou mais bandeira de luta eram defendidas. As ondas também não se desprenderam dos seus momentos políticos, mares muito altas e fortes também trouxeram respostas fortes feministas. Por exemplo nas décadas de 60, 70 e 80, feminismo atuou bravamente contra a ditadura militar e também pela defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres… Hoje ele tem ele está em diversos espaços até mesmo institucionais. Bom, mas não é para falar propriamente das ondas e para exemplificar as lutas que escrevo este texto, e sim para dialogar sobre a popularização do feminismo, no sentido de mais mulheres se identificarem como feministas e defenderem uma cultura feminista.
Tornar o feminismo popular faz-se necessário. Para citar apenas um pequeno caso. Este ano li uma matéria sobre o dia das mães que falava de uma mulher que além de cuidar do lar tinha a vida profissional para cuidar e falava desse desafio que “a mulher moderna” enfrenta para conciliar várias tarefas além de cuidar de si mesma. O que me chamou a atenção é que ela começava a matéria da seguinte forma “depois das mulheres terem ultrapassado o feminismo, hoje tem seu espaço…”, ultrapassado feminismo? Ué, não existe mais? E em todo texto quando a jornalista falava que as mulheres tinham acumulado todas essas funções, em nenhum momento ela falou da divisão dessas tarefas, as domésticas e da criação dos/as filhos/as, por exemplo. Ou mesmo de toda a importância do movimento feminista na luta e conquista de muitos direitos.
Isso me fez refletir sobre algo que vem sendo discutido bastante, ao menos no movimento de mulheres de Pernanbuco, quanto às mulheres se reconhecerem como feministas. Vários grupos, novos e velhos, entre eles os de mulheres de bairro, rural, negras, em fim. Mas nem todos eles carregam consigo a identidade feminista, e são vários os motivos. Contudo, penso que o principal deles é a desinformação reforçada por esteriótipos postos por diversas instituições, inclusive a mídia que os acentua pejorativamente ou simplesmente afirma o feminismo como uma coisa ruim e ultrapassada.
Quem nunca ouviu alguém dizer que não apoia o feminismo por achar que é o machismo ao contrário? Ou seja, as mulheres querem sobreposição e privilégios aos homens, querem mais direitos do que eles. Este argumento foi muito utilizado recentemente por pessoas contrárias a Lei Maria da Penha. Outra coisa muito comum é colocar personagens nas novelas e programas de mulheres com idéias feministas como “mal amadas” e “desiquilibradas”, isso sem contar nos seus finais quando elas encontram a felicidade nos braços de um homem que põe um certo cabresto nela.
Mas então, que estratégias poderíamos utilizar para essa aproximação das mulheres com a nossa luta? Algumas autoras preferem trabalhar com uma ideologia mais simplificada do que é ser feminista, como defendendo que a partir do momento em que você luta pela garantia e ampliação dos direitos civis e políticos das mulheres, você pode não saber, mas é feminista. Eu acho essa idéia extraórdinária por que assim, as demais mulheres que estão envolvidas com algum movimento social, podem se apropriando e se ver como feminista. Porém, podemos cair num vazio muito grande que é ter mulheres que se vêem e se intitulam feministas e não sabem de fato o que é feminismo, ou que não se identifique com alguma bandeira como a legalização do aborto. O que fazer nessas situações? Como nós enquanto mulheres jovens podemos proceder neste dilema?
Penso que primeiro, devemos refletir e discutir mais sobre a questão. Segundo, talvez esse seja um discurso inicial no sentido de cativar as mulheres para que as mesmas se sintam motivadas a entender o que é feminismo em sua essência e procurar espaços feministas. Daí a importância em se ter mais espaços de discussão sobre o assunto. E a partir do momento que recebemos pessoas neste espaço, o nosso papel é mostrar que ser feminista não é ter aversão aos homens ou querer ser mais que eles, mas que é lutar pelos nossos direitos que por séculos foram negados e agora queremos igualdade respeitando nossas especificidades.
Eu concordo totalmente com o texto e com as reflexões feita pela amiga Camila, a própria palavra feminismo já vêm carregada de má intrerpretação e preconceito,é dificil para as próprias mulheres se assumirem como feministas,msm que concordem com as ideias estabelecidas por uma divisão mais equitativa de poder entre homens mulheres…