Website do Projeto

Dario | Bem-Vindos/as!!! | Quinta, 23 de Outubro de 2008

Olá Pessoal, tudo bem?

Graças a um grande esforço do Rodrigo, conseguimos terminar a parte principal do website do Projeto dos Adolescentes e Jovens Vigilantes dos Direitos Sexuais e Reprodutivos. Ainda falta terminar a parte dinânica que é a inserção das atividades realizadas por cada um de vocês, o que estaremos entregando nos próximos dias.

Por favor, naveguem, revisem e divulguem para que todos/as tenham as informações sobre o Projeto. Caso encontrem algum erro, por favor envie um email para mim e para o Rodrigo para que possamos acertar.

O endereço é: www.adolescencia.org.br e lá tem um “banner” que leva ao site.

Um grande beijo e abraço a todos/as.

Dário.

Dani GAM | Bem-Vindos/as!!! | Quarta, 22 de Outubro de 2008

Boa Tarde Galera

Li esse artigo na revista IstoÉ e gostaria de dividir com vocês. ele é um pouco grande mas está falando sobre a divisão sexual do trabalho.

Gostaria muito de discutir sobre isso com vocês, então quem puder ler por favor comente.

Bjs

Basta de igualdade

SEM PODER CUIDAR DOS PAIS

Catarina Pohl, 39 anos, é química e gerente da multinacional IFF Essências e Fragrâncias, onde trabalha há 16 anos e até 18 horas por dia. Responsável pelo mercado na América Latina, viaja ao Exterior ao menos uma vez por mês. Desde que saiu da casa dos pais, aos 17 anos, para fazer faculdade, seu foco é a carreira. “Sempre tive consciência de que a gente tem que abrir mão de algumas coisas para ter sucesso em outras”, diz a executiva. A interação com a família sempre foi limitada às obrigações profissionais. “Apesar de encontrar os meus pais uma vez por mês, ficava pouco tempo com eles por causa do trabalho”, diz. Até que, em janeiro deste ano, a sua mãe adoeceu gravemente e Catarina decidiu mudar: “Tirava o fim de semana e um dia livre para estar ao lado da família, o que nunca havia feito.” Ela cogitou largar tudo para cuidar da mãe, que faleceu há dois meses. “A gente não pode dizer coisas como ‘eu não tenho tempo’. Se você cria na empresa um tipo de produtividade exagerada, não consegue sair dela. Temos que colocar limites claros desde o princípio para ter tempo para a gente e para as pessoas que amamos”, reflete a executiva.

SER MULHER NUM MUNDO MASCULINO

A pesquisa O feminino e o masculino no olimpo empresarial revela que a discriminação é mais presente no nível de gerência. “Da diretoria para cima, o fato de ser mulher não faz diferença, positiva ou negativamente. Ela é reconhecida como executivo”, diz a pesquisadora Betania. Gerente financeira da franqueadora Ornatos, Rose Matsumoto tem como tarefa palpitar sobre investimento, uma seara culturalmente masculina. Um terreno espinhoso, em que ela enfrenta resistência do sexo oposto. “Já me disseram que tal assunto não se fala com mulher”, diz ela. “Há oito meses, um possível investidor se alterou ao telefone, quando eu falava sobre capital de giro, dizendo: ‘Tá achando que não sei de tudo isso’?” Em outra ocasião, em uma reunião na empresa, o investidor levantou da cadeira e tentou intimidar Rose aumentando o tom da voz. “Me retirei da sala e encerrei a reunião.” As executivas relatam sofrer ainda com o fato de creditarem o sucesso delas ao uso da sexualidade. A gerente da Ornatos, 42 anos, conta que já conviveu com os gracejos masculinos em reuniões. “Eles entendem como cantada uma gentileza e esperam me conquistar ou que eu ceda lançando mão de elogios não à profissional, mas à mulher”, afirma Rose

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Pesquisa inédita revela que as executivas não estão dispostas a pagar qualquer preço pela carreira

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Uma leitura machista do estudo O feminino e o masculino no olimpo empresarial concluiria que as mulheres desistiram e, ok, os homens venceram. São eles que assumem a responsabilidade nas empresas e mandam nos destinos do País. De fato, a inédita pesquisa com aproximadamente 300 mulheres e 500 homens em cargos de gestão em 500 grandes empresas do Brasil despertaria raiva nas precursoras do feminismo. As mulheres não alcançaram a igualdade - e nem pretendem mais ter os mesmos direitos. Essa é a grande novidade do trabalho coordenado pelos professores Antonio Carvalho Neto, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-MG), e Betania Tanure, da PUC e da Fundação Dom Cabral (FDC-MG), centro de excelência de aprimoramento de executivos. Sob um aparente conformismo, existe algo novo: 29% das executivas disseram desacelerar o investimento na carreira por opção, seja pela maternidade, seja pela busca de uma relação afetiva mais estável. Três de cada quatro executivas estão insatisfeitas com o tempo dedicado aos pais, ao marido ou aos filhos. Ou seja, não é só o preconceito, como reza o senso comum, que as impede de subir na carreira - embora a maioria diga já tê-lo sentido na pele.

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O trabalho chama a atenção por revelar com mais clareza a evolução e as oportunidades da executiva no Brasil. Seu mérito é quantificar os dilemas femininos que prejudicam o crescimento profissional dela. “Se, entre 30 e 40 anos, fase em que se define o rumo da carreira, a mulher diminui o investimento na profissão, a chance de se chegar ao topo é muito menor”, diz a professora Betania. “À executiva é imposta uma limitação quanto ao que poderá render na corporação, uma vez que é ela quem abre mão de horas de trabalho para cuidar dos afazeres domésticos”, explica a professora Regina Madalozzo, do Ibmec São Paulo. “Teoricamente, filho é ótimo aos olhos da sociedade. Mas quem cuida deles, a mulher, paga o preço e ganha menos. Esse é o grande dilema da executiva.” Segundo a professora, o fato de os homens não dividirem a responsabilidade familiar faz com que, no primeiro escalão das empresas, eles ganhem 40% mais. A pressão é maior nos países latinos, onde a presença feminina em casa é mais valorizada.

“É raro, na Europa, a mulher que abre mão da carreira por essas razões”, diz a húngara Bárbara Demange, da D.A Consulting. “Elas são menos cobradas pela participação na vida familiar e contam com os homens nas tarefas domésticas.”

Ainda assim, no mundo dos negócios há bons resultados pela dedicação delas ao trabalho. Na Unilever, gigante multinacional de produtos de higiene e alimentos, o número de executivas deu um salto em três anos. Em 2005, não havia uma única vice-presidente e hoje elas preenchem mais de 20% desses altos cargos. Nas funções de diretoria e gerência, o crescimento foi de quase 50% nesse período. “As 25 empresas americanas com melhores índices de promoções de mulheres gestoras, segundo a revista Fortune, eram de 18% a 69% mais rentáveis do que a média”, diz Marcelo Williams, vice-presidente de recursos humanos da Unilever. Para entender melhor os dilemas da mulher de hoje, ISTOÉ pinçou cinco resultados mais significativos do estudo e os ilustra com depoimentos de executivas.

SEM LAZER E SEM AMIGOS

Ela acorda todos os dias às 6h e dorme à meia-noite. Adriana Filipetto, 37 anos, diretora da Novagerar, especializada em aproveitamento energético, faz malabarismo para dar conta da atribulada agenda.
São 10 horas diárias na empresa seguidas por quatro de aulas no curso de direito, a sua segunda graduação, e a criação dos dois filhos. A correria levou a engenheira a se afastar dos seus amigos e da oferta cultural do Rio de Janeiro. “Não lembro a última vez que fui ao cinema ou ao teatro”, diz a executiva, que só conhece novos restaurantes em almoços e jantares de negócio. A pesquisa O feminino e o masculino no olimpo empresarial revela que assistir a televisão e filmes em casa é o lazer preferido delas (56,3%) e o segundo deles (52%). “É um lazer passivo e não ativo, uma vez que eles dizem: ‘Na verdade, não estou vendo televisão. Estou esgotado e não tenho energia para fazer outra coisa’”, explica a professora Betania. Segundo o estudo, três em cada quatro executivos dizem escolher as atividades de lazer, enquanto apenas 20% das executivas com filhos e metade das sem filhos dão a palavra final. Ao recordar os tempos da faculdade e da escola, Adriana lamenta estar distante dos amigos, que já desistiram de convidá-la para os encontros sociais. “Eles sabem que nunca vou. Só os vejo por acaso, no supermercado ou no trânsito”, diz ela. “O máximo de lazer hoje é alugar um filme e pedir uma pizza.” Viagens com a família? “Já fui várias vezes à Europa, mas sempre a trabalho. Nunca viajo com o meu marido e meus filhos”, afirma a executiva, que só tem duas semanas de férias por ano.

VIAGEM A CHICAGO NA LICENÇA-MATERNIDADE

Durante oito anos, Bárbara Wagner, 43 anos, gerenciou as maiores contas da Givaudan, multinacional especializada em essências. Sua rotina era repleta de viagens internacionais e reuniões intermináveis no escritório, o que a credenciava para o cargo de direção. Aos 38 anos, ela descobriu que seria mãe pela primeira vez. Logo após o parto, teve de fazer uma escolha: cuidar da filha de apenas um mês e meio ou lutar por uma promoção. Bárbara encarou uma viagem às pressas a Chicago (EUA) para uma reunião com o McDonald’s. “Mesmo sabendo que tinha o direito à licença-maternidade, tive medo de sofrer uma retaliação na empresa”, confessa. “Quando cheguei ao hotel, via escorrer pela pia o excesso de leite dos meus seios. Chorei a noite inteira e me sentia culpada por estar ali enquanto a minha filhinha precisava de mim.”

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Das 300 mulheres ouvidas no estudo O feminino e o masculino no olimpo empresarial, apenas metade desfrutou de mais de três meses de licença-maternidade, direito garantido por lei, após a última gravidez. “Mesmo as que dizem gozar de mais de três meses estão ligadas no trabalho. Apenas 5% ‘desligam’ nesse período”, conta a pesquisadora Betania. Bárbara, que teve apenas um mês de licença, foi diminuindo o ritmo no trabalho até decidir sair da empresa. “Eu trabalhava 16 horas por dia. Se seguisse naquele ritmo, teria sido diretora. Mas não troco nenhuma promoção pelo prazer de estar com a minha filha”, diz. Hoje, coordenadora de uma ONG, Bárbara trabalha cinco horas por dia, recebe 25% menos, mas comemora a dedicação plena na criação da filha. Cerca de 42% das executivas pesquisadas admitiram que a carreira foi afetada após a maternidade. “Há um momento em que a mulher tem de escolher entre a carreira e a maternidade. Muitas temem perder o período fértil e desistem do mundo executivo”, avalia o headhunter Luiz Wever.

A CARREIRA ACABOU COM O CASAMENTO

“Entre o casamento e a carreira, fiquei com o cargo”, diz Nadir Moreno, 39 anos, presidente da UPS, multinacional especializada em transporte expresso. Ela foi casada durante cinco anos e, desde o início da união, enfrentou os desafios para conciliar a vida de esposa com a de executiva na empresa onde trabalha há 16 anos. Envolvida com constantes reuniões e viagens internacionais, era criticada pelo ex-marido, que não aceitava a sua dedicação ao trabalho. O auge da crise no casamento veio após um convite para que ela assumisse um alto cargo em Miami (EUA). “Ele disse que não me acompanharia”, conta Nadir. Desde a separação, em 2004, não casou novamente. A história da executiva é um reflexo da realidade de muitas outras no Brasil. Dados da pesquisa O feminino e o masculino no olimpo empresarial revelam que 80% dos executivos do alto escalão estão casados ou em uma relação estável, enquanto a mesma proporção de mulheres no mesmo cargo estão solteiras. Das divorciadas, 60% declaram que a carreira influenciou na separação. “Alguns homens ainda se sentem ameaçados por mulheres bem-sucedidas. Eles as admiram, mas fogem do compromisso de longo prazo”, avalia a pesquisadora Betania Tanure. Em conversas com pessoas reticentes à sua entrega profissional, Nadir foi acusada de abdicar de “valores femininos”, como a dedicação à família e à maternidade. “Uma oportunidade na carreira pode não se repetir jamais”, afirma a executiva, para quem nunca é tarde para se ter um filho, biológico ou não. Regina Madalozzo, professora do Ibmec São Paulo, opina: “Acredito que o número de mulheres que se arrependem por não ter aceitado uma promoção para se dedicar a filhos ou família é maior do que o das que se arrependem por não ter tido filhos.”

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Fonte: Revista ISTOÉ 08/OUT/2008 ano 31, nº 2031

As alucinantes noites dos camicases

Dani GAM | Bem-Vindos/as!!! | Quinta, 9 de Outubro de 2008

Olá Galera!

Olha que interessante essa matéria que lemos na Revista Veja. Espero que contribua para as nossas discussões.

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Um novo perfil de paciente chega ao consultório dos
infectologistas: jovens com menos de 25 anos que,
embalados por álcool e drogas, deixam a camisinha
de lado e se contaminam com o HIV

“Sempre soube da importância da camisinha. Minha mãe insistia para que eu nunca saísse de casa sem ela. Certa vez, na escola, uma professora demonstrou como usar o preservativo. Achei patético. Aquilo não era para mim. No fundo, achava que aids era coisa de gay. Aos 16 anos, no início da minha vida sexual, eu até usava camisinha, com medo de engravidar as meninas. Depois, desencanei por causa da bebida. Sob o efeito da cerveja e do uísque, aí é que a camisinha não saía mesmo do meu bolso. Meus amigos também agem assim. Há três semanas eu descobri que tenho o vírus HIV. É óbvio que eu tomei um susto. Mas agora estou mais tranqüilo. Daqui a uns dias vou começar a tomar o coquetel contra a aids. Sei que terei uma vida normal.”

O relato do estudante paulistano A.K., de 21 anos, é aterrador. Impressiona pelo descaso com o sexo seguro e, agora, pelo modo como enfrenta a infecção pelo HIV. Ele não é uma exceção. Rapazes e moças como A.K. se tornaram figuras freqüentes nos consultórios dos grandes infectologistas brasileiros: jovens de classe média, com menos de 25 anos, contaminados pelo vírus da aids em baladas regadas a muito álcool e drogas. “Em 28 anos de consultório, nunca vi tamanho desdém pela proteção sexual”, diz Artur Timerman, infectologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. “E esse descaso é provocado pelo abuso de bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes.” Oficialmente, a ocorrência de aids entre os jovens de 13 a 24 anos mantém-se estável nos últimos cinco anos. Eles representam 10% do total de infectados no país a cada ano, o que equivale a cerca de 3.000 casos. “Mas é urgente que essa rapaziada mude de comportamento já”, alerta o infectologista David Uip, do Hospital Sírio-Libanês. “Do contrário, prevejo uma explosão da contaminação por HIV entre os jovens.” Até recentemente, os portadores do vírus com menos de 25 anos que chegavam ao consultório de Uip eram, no máximo, três por ano. De 2007 para cá, o médico passou a atender, em média, um paciente com o mesmo perfil por mês. “Estou estarrecido com a postura camicase desses garotos”, afirma o infectologista.

Em algumas situações, o comportamento irresponsável adquire contornos suicidas. Comum entre os gays americanos desde os anos 90, vem ganhando força no Brasil a prática do bare-backing, em que homossexuais masculinos se expõem voluntariamente ao vírus da aids em relações sem proteção. A expressão barebacking pode ser traduzida como “cavalgada sem sela”. Nessa roleta-russa da aids, um portador do HIV é chamado a participar de uma orgia. Ele pode ou não receber dinheiro por isso. Quando é contratado, o valor fica em torno de 3.000 reais. Batizado de “gift” (presente, em inglês), o soropositivo não é identificado. Todos os outros convidados, porém, sabem que na festinha há pelo menos um portador do HIV – e se divertem com o risco de ser infectados. Essa maluquice é protagonizada, em geral, por homens de 16 a 30 anos. Aos 48 anos, R.F. está contaminado há quinze. Já participou de uma dezena de barebackings. Num deles, foi o “presente”, mas pediu para ser identificado. “Apesar do lenço vermelho amarrado no braço, o que denunciava o HIV, muitos quiseram ter relações comigo sem camisinha”, conta R.F.
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Campanha antiaids
Cartaz de alerta sobre os riscos oferecidos pelo crystal, droga muito disseminada entre os gays americanos: “Basta uma noite com o crystal para jogar fora anos de sexo seguro”

As drogas que alavancam o comportamento sexual irresponsável – tanto de homossexuais como de heterossexuais – podem ser pesadíssimas. Além da onipresente cocaína, consome-se bastante o chamado special K, um anestésico de cavalo com efeito alucinógeno arrebatador. Outra droga que começa a despontar no Brasil é o crystal. Derivado da anfetamina, ele é muito comum nas festas gays. Nos Estados Unidos, onde o seu uso está amplamente disseminado, o crystal é alvo de campanhas antiaids por favorecer enormemente o sexo sem proteção. Um estudo publicado no Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes mostra que o crystal aumenta em 46% o risco de infecção pelo HIV. O álcool, por sua vez, quando consumido em excesso, quintuplica a probabilidade de um jovem fazer sexo sem proteção. Com a palavra a gaúcha C.A., secretária de 28 anos:

“O abuso de bebida na adolescência me levou a ter aids. Quando completei 18 anos, conheci um cara que adorava beber e eu passei a acompanhá-lo nas bebedeiras. A partir do nosso terceiro encontro, abandonei o preservativo. O álcool distorcia a minha visão da realidade. Dois meses depois do início do relacionamento, nós nos separamos. Sete anos mais tarde, por causa de uma febre alta que não cedia, descobri que estava com aids. Desconfio que peguei a doença daquele namorado. Mas não tenho certeza porque depois dele voltei a fazer sexo sem proteção. Infelizmente, existe a possibilidade de eu ter infectado outras pessoas sem saber”.

Um estudo conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo revela que 44% dos brasileiros recém-diagnosticados com HIV (14.000 pessoas ao ano, segundo as estatísticas oficiais) só descobrem a infecção com a manifestação dos primeiros sintomas da doença, como aconteceu com a secretária C.A. Em média, da infecção aos primeiros sinais da doença transcorrem sete anos. Ou seja, ao longo de todo esse período, homens e mulheres infectados podem pôr a vida de outras pessoas em risco – além da sua própria. Graças à evolução dos coquetéis de remédios, os jovens de hoje formam a primeira geração que não presenciou a devastação causada pelo HIV nos anos 80. “Para essa juventude, a aids parece ser uma realidade distante”, diz o sanitarista Alexandre Grangeiro, coordenador do trabalho da USP. “Além disso, como os retrovirais estão mais eficazes, os jovens superestimam os efeitos dos medicamentos e acreditam que podem tratar a aids como um mal crônico qualquer.” De fato, tais remédios têm tudo para garantir uma longa vida ao jovem A.K., o estudante de 21 anos que acaba de se descobrir portador do HIV. A “normalidade” que ele imagina, no entanto, é uma ilusão. Apesar de todos os progressos na área farmacêutica, conviver com o HIV não é tão simples assim. Os remédios só fazem efeito se tomados à risca, apresentam efeitos colaterais desagradáveis e a quantidade pode chegar a nove comprimidos diários. O melhor é não ter de tomá-los. Muito melhor é ter responsabilidade.

Fonte: http://veja.abril.com.br/011008/p_096.shtml

Santa Bárbara disponibiliza médica hebiatra para atendimento de adolescentes

Rodrigo Correia | Bem-Vindos/as!!! | Terça, 7 de Outubro de 2008

Os adolescentes do Município de Santa Bárbara d´Oeste já podem contar com atendimento especializado. É que a Secretaria Municipal de Saúde implantou um projeto piloto com uma hebeatra, médica especializada em adolescentes.

A iniciativa é inédita e está sendo oferecida inicialmente no Posto Médico “Dr. Felício Fernandes Nogueira”, localizado no Mollon. O atendimento acontece a partir das 9h30min, na segunda, terça, quarta e sexta-feira.

Desde o inicio da implantação do projeto, mais de 30 adolescentes já foram recebidos pela pediatra especializada em hebeatria Dra. Regina Vincenzi. “O resultado tem sido muito significante. Temos recebido elogios dos pais porque eles sabem que a adolescência é uma fase conturbada, cheia de conflitos existenciais, incertezas e inseguranças. Na puberdade, é muito cedo para ir ao clínico geral e muito tarde para procurar um pediatra. Por esta razão, o profissional mais indicado para ajudar a atravessar esse período é o hebeatra”, informou a coordenadora do Programa Municipal para Adolescentes, Elaine Prandi Pedro.

A hebeatria é uma área da pediatria que trata exclusivamente de adolescentes de 12 a 19 anos, observando os aspectos físico, emocional e social, além de acompanhar o crescimento e o desenvolvimento do indivíduo. “Trata-se de uma fase complexa da vida, cheia de mudanças. É importante que o adolescente ganhe maturidade para lidar com os problemas que surgem e tenha uma transição para a vida adulta tranqüila e consciente”, explica a coordenadora.

Fonte: http://www.santabarbara.sp.gov.br/v3/index.php?pag=pag_noticia&dir=noticias&id=33489

COQUETEL DO DIA SEGUINTE 2

Alvaro | Bem-Vindos/as!!! | Sábado, 4 de Outubro de 2008

Essa é uma discussão que, no campo atual de pesquisas, tem ganhado terreno importante, pois todas as possibilidades de prevenção ao HIV devem ser pesquisadas e testadas ja que todas têm o mesmo objetivo que é estancar a epidemia de aids no mundo. Antes de entrar na questão propriamente do coquetel como forma de prevenção, é preciso pensar que 1) Não existe apenas um tipo de virus HIV. O sub-tipo predominante na África, por exemplo, não é o mesmo subtipo que predomina nas Américas e, sendo assim, o tipo de coquetel de medicamentos para cada subtipo deve ser diferente. 2) Outra coisa é o contexto das praticas sexuais. É muito dificil e perigoso pensarmos que todas as pessoas praticam sexo em contextos semelhantes. A maioria de nós, estudou, foi a escola, tem uma famila (ou pessoas que tenham esse papel), temos determinados objetivos e determinadas praticas, mais ou menos comuns…Mas existem pessoas que tiveram historias de vida muito diferentes das nossas, não tiveram acesso a educação como nós e não tiveram acesso a outras coisas e, por isso, muitas vezes estão em maior vulnerabilidade para aquisição do virus HIV. Sendo assim, para algumas pessoas, a negociação do preservativo ainda é um desafio no contexto em que elas vivem, de modo que, talvez para esses grupos, a camisinha nem sempre é a melhor solução de prevenção. É por este motivo que as pesquisas avançam em todas as direções.

Hoje existem no mundo um vasto campo de pesquisa de “Estratégias de Prevenção Biomédicas”. O que é isso? São estratégias de prevenção que buscam impedir a infecção pelo HIV de forma bio-fisico-quimica, criando condições desfavoráveis para que o virus penetre no corpo da pessoa, e não depende do comportamento dela (não depende se ela usaria ou não camisinha, por exemplo).

Dentre as estratégias biomédicas estão a pesquisa de vacinas (existe a pesquisa de vacina preventiva - que previne a infecção e a vacina terapeutica - que combate o virus hiv, depois que ele ja entrou no corpo da pessoa), as pesquisas de microbicidas (substâncias que podem aumentar a resistência das mucosas/tecidos do corpo) dificultando a entrada do virus, as pesquisas de circuncisão (estudos realizados na Africa, mostraram que homens heterossexuais circuncidados - que fizeram aquela cirurgia para a retirada do prepúcio, aquela pele que recobre a glande/cabeça do pênis - tiveram menos chance de infecção ou se infectaram menos do que homens que não foram circuncidados) e finalmente, o uso do coquetel de medicamentos para o tratamento, com forma de prevenção.

Essa estratégia, que o texto da materia postada pela Maryellen chama de coquetel do dia seguinte, tem causado muito debate pois, por um lado, já tem sido utilizada como estratégia para profissionais de saúde que sofrem algum tipo de acidente de trabalho quando estão cuidando/tratando de pessoas soropositvas ou com aids. Em todo o Brasil, quando o médico(a)/enfermeiro(a)/Outro(a) fura ou corta a sua propria pele durante um procedimento em que a chance de infecção pelo HIV é grande, imediatamente é feita a administração de um ou dois medicamentos que compoem o coquetel de tratamento de pessoas hiv positivas. (depois eu passo os nome dos medicamentos, não tenho aqui agora). Esses profissionais de saude são observados durante 6 meses a 1 ano e fazem testagem para o hiv com frequencia, além de tomarem o coquetel durante o tempo de observação, para ter certeza que o acidente que tiveram não os infectou. Parece ser uma solução ótima, mas ela é bastante polêmica por que, principalmente:

a) primeiro pelo lado da saude publica…se ja é dificil garantir o uso do preservativo pela população de forma consistente, com esta opção de tomar os medicamentos, não se sabe quais os efeitos comportamentais que possam ocorrer, o que certamente, redirecionaria os rumos da epidemia, para direções que ninguém sabe quais são e ninguém sabe quais seriam as consequencias (que poderiam ser bastante devastadoras).

b) depois tem a questão da propria pessoa, do organismo dela. ja se sabe, pelas pesquisas de medicamentos, que ao longo do tempo, o corpo cria resistência a ação dos medicamentos. Isso ocorre por que o corpo se adapta a ação dos medicamentos e de tempos em tempos, pessoas que fazem uso corrente do coquetel tem que sempre reavaliar o seu esquema de medicação. Numa pessoa soronegativa (que não tem o virus) que começa a utilizar o coquetel como forma de prevenção (ou como “coquetel do dia seguinte”) pode ocorrer a mesma adaptação do corpo, criando resistência aos medicamentos. E isso é super perigoso por que se, no futuro, essa pessoa se infectar de verdade, seu corpo estará resistente aos medicamentos e o tratamento será mais dificil e arriscado para essa pessoa.

c) tem também a questão de qual é o melhor esquema de medicamentos adequado para cada subtipo de virus do hiv…Essa pratica de tomar o coquetel em caso de acidente profssional em procedimentos de saúde é comum no Brasil, mas não é uma conduta mundial, pois não se sabe como cada tipo de virus hiv vai se comportar para essa estratégia.

d) e por ultimo, como disse a materia original, não existem estudos/pesquisas que comprovem a total eficacia e o mecanismo de ação dessa estratégia…Então por que os profissionais de saúde a utilizam? Essa forma começou a ocorrer de forma empírica e mostrou que as pessoas que a utilizavam não soro-convertiam (ou, não se infectavam, não se tornavam soropositiva). Mas não existem nenhum estudo que comprove cientificamente, por exemplo, qual a dose adequada, quanto tempo hábil a pessoa tem para tomar o coquetel depois de um acidente, que pessoas não deveriam tomar o coquetel por estarem em tratamento com outros medicamentos - como diabéticos, pessoas com pressão alta, cardíacos, e outros -, e qual a eficacia real…o que se sabe é que na maioria dos casos, entre profissionais de saúde no Brasil, a estratégia tem impedido a soroconversão…mas e no mundo real, fora dos hospitais, dos centros de saúde? E em outros locais do mundo ode o virus é diferente do tipo que prevalece no Btasil? E nas periferias, nas favelas, nos prostibulos, nas vielas e becos, saunas, boites, festas e etc, onde as pessoas tem feito sexo (e compatilhado seringas) de todas as formas?

Nada disso se sabe de verdade, só se tem DADOS EMPIRICOS, ou seja, informações que derivam da experiência pratica, apenas.

Mas e ai, o que se faz?

Hoje, no campo de pesquisa de alternativas a infecção pelo HIV, as discussões sobre as estratégias biomédicas estão bastante aquecidas. Varias instituições defendem que é urgente a realização de novos estudos que avancem na investigaaçõ da eficacia e segurnaça dessas estratégias biomédicas (vacinas, microbicias, circuncisão e administração de coqueteis como prevenção), pois quanto mais estratégias de combate do avanço da epidemia existirem, melhor será para todo mundo. Mas tb existem muitas questões eticas que tem sido debatidas para assegurar que as pessoas envolvidas nesses estudos tenham sua saúde e integridade garantidas. O consenso é que é necessário e urgente termos mais opçoes de prevenção além do preservativo.

Quem quiser se aprofundar nessas questões, convido a, a partir da proxima segunda dia 06 de outubro, visitar o site da Unidade de Pesquisas Clinicas de São Paulo (onde trabaho, alem da Reprolatina) para acompanhar os avanços dessas pesquisas e dessas discussões. No site, temos disponibilizado todas as edições do Boletim “Reporter Vacinas” publicado bimestralmente pela Unidade. Esse boletim traz as ultimas informações no campo de pesquisas de estratégias biomédicas de prevenção ao hiv. Tem no site tb, o link para o VAX que é um outro boletim editado por uma instituição internacional, chamada IAVI (International Advocacy Vaccine Initiative) que advoga (faz advocacy) por maiores investimentos para essas pesquisas no mundo todo. Estaremos continuamente colocando no site, mais informações sobre as pesquisas. Anotem ai o endereço (que é provisório, mas logo será definitivo, e mais curto):

http://www.vacinashiv.unifesp.br/2008/index.htm

Ah, aproveito pra dizer que fui eu quem fiz…hehehehe (aproveitar pra fazr propaganda, né?)

Espero que essa explicação tenha ajudado para esclarecer ao grupo e trazer mais subsidio para a discussão do tema. Se precisarem de outras informações, pode perguntar pelo email vacinas@crt.saude.sp.gov.br

Vigilantes - Aulas do CENTRA

Rodrigo Correia | Bem-Vindos/as!!! | Quinta, 2 de Outubro de 2008

Olá Vigilantes,

Como estão as atividades de seguimento do Projeto? E a participação aqui no BLOG, já se cadastraram?

Em relação as aulas do CENTRA, já realizamos três aulas, onde foram discutidas a revisão dos instrumentos de diagnostico e registro das atividades do Projeto, plano de ações para o mês de Setembro e Outubro, além da troca de experiência pós capacitação e esclarecimento de dúvidas.

Porém, infelizmente não estamos tendo a participação de todos/as vigilantes nas aulas, conforme acordado na etapa presencial, já que a capacitação a distâncias (CENTRA), é uma etapa de seguimento do Projeto, mas principalmente de continuidade da capacitação, aprofundamento de nossos referências, troca de experiências e comunicação do Projeto, por isso, é importante o esforço e a participação de todos/as nas aulas.

O nosso próximo encontro (aula) é sábado agora, 04 de Outubro de 2008, as 09:00, para os/as que ainda não participaram é só ficar atento ao seu e-mail, pois mandamos sempre antes da aula toda explicação de como acessar o CENTRA bem como o tema da aula.

Aproveito também, para PARABENIZAR os/as vigilantes que estão participando em todas as aulas da capacitação a distância e contribuindo com a construção coletiva de nossas ações.

Espero poder contar com a presença e participação de todos/as vigilantes sábado, lembrando que se alguém não for participar, por favor, encaminhe um e-mail para nós (Rodrigo e Dário) justificando a ausência

Abraços a todos/as,
Rodrigo Correia

COQUETEL DO DIA SEGUINTE…

Maryellen Oliveira | Bem-Vindos/as!!! | Quinta, 2 de Outubro de 2008

Olá pessoas queridas. Li esta materia e achei muito importante. Gostaria que todos/as lessem e postassem os seus comentários. Um beijão.

Comportamento
O coquetel do dia seguinte

Jovens que fazem sexo sem proteção agora recorrem
ao uso profilático de remédios contra a aids

O economista Adriano Abramavicus, de 30 anos, só se deu conta da bobagem ao voltar para casa, com o dia amanhecendo. Movido a vodca com energético, ele acabara de fazer sexo sem proteção com uma total desconhecida, de quem nem lembra o nome. Os dois se atracaram numa festa rave, em São Paulo. “Fiquei preocupado por ter transado sem camisinha, mas não entrei em desespero: lembrei dos remédios e, no ato, senti um conforto na alma.” Abramavicus já havia passado por situação semelhante e, como forma de prevenir a possível contaminação pelo vírus HIV, foi orientado por seu médico a tomar o coquetel antiaids. Depois da nova imprevidência, lá estava ele outra vez, tomando seis comprimidos diários e enfrentando os terríveis efeitos colaterais da medicação – depressão e dores no estômago, principalmente. Jovens como Abramavicus começam a aparecer com freqüência nos consultórios de infectologistas. Em sua maioria, são homens entre 20 e 30 anos. Eles vão para a balada, bebem demais e, quando caem em si, é tarde demais: fizeram sexo sem proteção. Aí correm em busca do coquetel anti-HIV, para evitar uma eventual infecção.

A facilidade com que essas pessoas se expõem à aids é reflexo direto dos avanços no tratamento da doença. Em seus primórdios, no início dos anos 80, a contaminação pelo HIV representava uma sentença de morte. Entre o diagnóstico e a fase terminal, transcorriam apenas seis meses. Atualmente, com a detecção precoce do vírus e o uso correto de medicamentos potentes, a aids pode ser enfrentada como uma doença crônica. “Os jovens de hoje não testemunharam os estragos causados pelo HIV vinte anos atrás e, por esse motivo, não se assustam tanto com a doença”, diz o infectologista Artur Timerman, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O uso profilático do coquetel antiaids remonta a meados dos anos 90. Inicialmente era destinado apenas a profissionais de saúde que entravam acidentalmente em contato com o vírus. Agora, tornou-se uma panacéia para marmanjos arrependidos de suas noitadas. A medida visa a impedir quanto antes a proliferação do HIV no organismo. Por esse motivo, o coquetel deve ser administrado até 72 horas depois da contaminação (veja o quadro abaixo).

Ainda não se sabe o grau de eficácia do uso profilático do coquetel por quem se expôs sexualmente ao HIV. Não há nenhum estudo conclusivo sobre o assunto. O que existe são pesquisas um tanto limitadas com mulheres vítimas de estupro. Em todas elas, as participantes que receberam a medicação não desenvolveram a doença. O problema é que é muito difícil saber se o agressor era portador ou não do vírus da aids. Os trabalhos mais rigorosos são os que envolvem os profissionais de saúde. Nesses casos, as taxas de sucesso chegam a 80%. Alguns médicos não se sentem confortáveis para prescrever o coquetel profilático. “A garotada já não usa a camisinha como deveria, e tenho muito receio de que a popularização dessa terapia se transforme numa opção ao sexo seguro”, diz o infectologista David Uip, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Há de se levar em conta, também, que recorrer aos remédios antiaids não é tão simples quanto tomar um comprimido para dor de cabeça. A profilaxia prevê de dois a seis comprimidos diários, ao longo de um mês, com efeitos colaterais geralmente devastadores. “Este não é, em definitivo, o momento de deixar o preservativo de lado”, escreveu o médico americano Dan Bowers, num artigo sobre as conseqüências da profilaxia com remédios anti-HIV. É melhor, portanto, não esquecer a camisinha na carteira.

Adriana Dias Lopes

REVISTA VEJA
http://veja. abril.uol. com.br/270208/ p_100.shtml